Transcrever emoções, sentimentos, passado, futuro ou desejos, é viver - ou reviver - tudo o que há de melhor.

domingo, 20 de maio de 2012

Datado de 31/12/2011 - Meu singelo ódio


A cada dia que passa, tenho mais motivos para odiar a vida.
E eu à odeio, amigo. Eu à odeio.
Odeio minha covardia, e quando a covardia some por alguns instantes, odeio minha honestidade. Nunca me leva a lugar algum.
Odeio estar tonto.
Odeio este maldito sentimento. Odeio.
Odeio sentir todo este ódio. Odeio minha vida. Odeio a vida. Odeio minha existência. Odeio sobreviver e não viver. Odeio não ter sua língua junto à minha. Te odeio.
Não é algo pessoal apesar de eu odiar-te um pouco mais que aos outros. É quase um lisonjeio. Te odeio. Odeio ter sentido saudades de me sentir assim.
Me odeio.
Odeio não conseguir reprimir toda esta esperança.
Te odeio por não ter me retirado toda a esperança.
Odeio todos os seres humanos.
Odeio conviver com cada um de vocês, porque os que me fazem bem, acabam por me fazer sentir-me mal.
Te odeio. Odeio o mundo. Odeio a vida, e com o perdão da repetição, odeio a vida. Odeio profundamente a vida. Odeio a ideia do suicídio. Odeio achar tal ideia charmosa. Te odeio.
TE ODEIO em caps lock. I hate you. Odeio o leitor e o escritor.
Odeio as profissões, a falta de opções, a inteligência e a falta de Inteligência. Odeio sua perfeição. Odeio profundamente a sua perfeição.
Odeio o amor platônico.
Odeio o Pataca.
Odeio meu ódio.
Odeio minha sabotagem, e odeio ainda mais a sua.
Chega! Chega disso! Te odeio por não gostar de mim da mesma maneira.
Odeio toda garota que me atrai.
Te odeio.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sem cores


Tentei não usar este espaço para coisas muito pessoais, mas na falta de um ombro, tenho um blog.
Talvez seja bobeira, talvez não devesse sentir-se assim, quiçá egocentrismo ou expectativas muito altas. Não devia ter pensado que era tão importante. O tombo é bem maior.
E eu que andava execrando a solidão, já penso logo numa reconciliação. Venha cá, velha companheira. Venha cá.
Se quem te deu a vida não se lembra, não deves passar de um vulto. Talvez seja apenas drama. Talvez não passe de curta decepção. Altas expectativas. A volta da depressão.
Então que vá aos Diabos este maldito dia que foi feito especialmente para decepcionar-nos.
Agradeço a quem começou bem meu dia e os amaldiçôo por terem o meu ego inflado para que ainda no mesmo dia o mesmo fosse furado. Vinte e três facadas o roubaram o ar. E o dia acabou deixando um gosto amargo e 145 palavras de angústia.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Every time I see a beautiful girl on the subway, I fall in love. I fall in love with them and then I forget them. All of it in thirty minutes.
I could really date one of these gurls, though. I'd love to do so. I just don't have the opportunity. Gotta love 'em. Gotta do. Gotta kiss 'em. And fall in love again and again.

And my fingers are just like a machine. They're typing my love. Describing my feeling. Amores de metrô. You gotta recognize their value.

(...)

That japanese gurl is pretty. She is, in fact, gorgeous. And cuz I'm a needy guy, she becomes even better. Her style is my style. I like her shoes, her shirt, her angelical face... And my sunglasses help me check her out.

(...)

I fall in love every day, my dearest friend. Sometimes twice a day - or even more - but they do not see me. They do not notice me. And I wish they did.
If only they knew what's going on inside my skull... If only...


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Conto de 30 minutos

Uma de suas mãos segurava uma caneta, e a outra, uma garrafa da mais barata cerveja. Sobre a mesa descansava uma agenda e um cinzeiro – e este último segurava um cigarro que queimava lentamente. Mallu arregalou os olhos. Seu cérebro enviou a mensagem para suas mãos, que, sem titubear, responderam: Uma delas levou a garrafa até sua boca de lábios finos e bem desenhados, derramando o líquido amargo, fazendo-o descer pesadamente até seu estômago. Ao mesmo tempo, sua mão esquerda movia-se rapidamente devorando cada pedaço em branco do papel.

Escrevia com afinco, derramava sua angústia no papel, e o resultado era, como na maioria das vezes, divino. A beleza é nada mais que a tristeza recomposta. Fora assim com grandes mestres da música e da literatura, e assim o era com Mallu.
Cinco minutos foram suficientes para que a folha estivesse preenchida. Mais quatro minutos e também o verso já não possuía mais espaços em branco. Era uma bela justificativa para o que viria pela frente.
A Linda garota largou a caneta em cima da mesa, derramou mais um bocado de cerveja em sua boca, varreu o bar com seus olhos verdes e repousou-os em uma faca de cabo amarelo e ponta extremamente fina. Levantou-se de sobressalto, esqueceu-se da garrafa, do cigarro – que neste momento era só filtro – e apertou o passo, indo em direção à tentadora faca.
Cantarolava mentalmente uma canção que dizia “Eu apostei tudo, e eu perdi tudo. Como pude ter sido tão estúpido?” alcançou a faca, escondeu-a na manga de sua blusa (que usava por cima de um vestido azul que por sua vez realçava a beleza de seu corpo bem feito) e saiu do bar após ter deixado o dinheiro para pagar pela bebida.
Andou muito rápido pelas ruas. Evitava as calçadas. Lugares seguros a deixavam em pânico. Estava extremamente calma. Olhava crianças sorrindo e sentia-se enjoada. Suas pernas não paravam por um segundo. Os pescoços dos transeuntes viravam sempre que cruzavam com sua figura. Ela era apaixonante. Caminhava velozmente e desviava-se das pessoas que vinham na contramão. Armada com seu cérebro, seu peito e uma faca, ela tinha destino certo.
Dez minutos depois, chegou aonde desejava. Seu peito subia e descia, em partes por ter andado muito rápido, e em partes por culpa da ansiedade. Felicidade espontânea. Lembrou-se do que passara por Fernando, um rapaz exageradamente feliz, e sem muito pensar, tirou de sua manga a faca de cabo amarelo. Só agora percebia seus adornos. Era uma linda faca, e serviria a um lindo propósito. Se Drummond fizera sucesso com um poema que não dizia mais do que “Tinha uma pedra no meio do caminho”, ela entraria para história com aquela folha.
Causaria remorso em alguns, chocaria o país, mataria ainda um punhado, abriria os olhos de tantos outros, e satisfaria sua própria vontade.
Acendeu um último cigarro. Estava parada no meio do vão do MASP. Assim que terminou o cigarro, dirigiu-se para os elevadores. Foi até um andar onde uma exposição de Maurício de Sá estava à mostra. Chegou muito perto de um de seus quadros, sua obra prima, que levava o nome de “Amor além do espírito” e, colocando o papel sobre a tela, tirou a faca e fincou-a juntando bilhete e quadro.
Pessoas aglomeraram-se para ver o quadro chorar e sangrar, enquanto liam seu recado: “Liberdade não está na arte. A arte não está na liberdade. Há mais de uma pedra no meio do caminho, há uma faca no meio do amor e do espírito”
A frase repetia-se por 43 vezes, frente e verso.