Transcrever emoções, sentimentos, passado, futuro ou desejos, é viver - ou reviver - tudo o que há de melhor.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Every time I see a beautiful girl on the subway, I fall in love. I fall in love with them and then I forget them. All of it in thirty minutes.
I could really date one of these gurls, though. I'd love to do so. I just don't have the opportunity. Gotta love 'em. Gotta do. Gotta kiss 'em. And fall in love again and again.

And my fingers are just like a machine. They're typing my love. Describing my feeling. Amores de metrô. You gotta recognize their value.

(...)

That japanese gurl is pretty. She is, in fact, gorgeous. And cuz I'm a needy guy, she becomes even better. Her style is my style. I like her shoes, her shirt, her angelical face... And my sunglasses help me check her out.

(...)

I fall in love every day, my dearest friend. Sometimes twice a day - or even more - but they do not see me. They do not notice me. And I wish they did.
If only they knew what's going on inside my skull... If only...


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Conto de 30 minutos

Uma de suas mãos segurava uma caneta, e a outra, uma garrafa da mais barata cerveja. Sobre a mesa descansava uma agenda e um cinzeiro – e este último segurava um cigarro que queimava lentamente. Mallu arregalou os olhos. Seu cérebro enviou a mensagem para suas mãos, que, sem titubear, responderam: Uma delas levou a garrafa até sua boca de lábios finos e bem desenhados, derramando o líquido amargo, fazendo-o descer pesadamente até seu estômago. Ao mesmo tempo, sua mão esquerda movia-se rapidamente devorando cada pedaço em branco do papel.

Escrevia com afinco, derramava sua angústia no papel, e o resultado era, como na maioria das vezes, divino. A beleza é nada mais que a tristeza recomposta. Fora assim com grandes mestres da música e da literatura, e assim o era com Mallu.
Cinco minutos foram suficientes para que a folha estivesse preenchida. Mais quatro minutos e também o verso já não possuía mais espaços em branco. Era uma bela justificativa para o que viria pela frente.
A Linda garota largou a caneta em cima da mesa, derramou mais um bocado de cerveja em sua boca, varreu o bar com seus olhos verdes e repousou-os em uma faca de cabo amarelo e ponta extremamente fina. Levantou-se de sobressalto, esqueceu-se da garrafa, do cigarro – que neste momento era só filtro – e apertou o passo, indo em direção à tentadora faca.
Cantarolava mentalmente uma canção que dizia “Eu apostei tudo, e eu perdi tudo. Como pude ter sido tão estúpido?” alcançou a faca, escondeu-a na manga de sua blusa (que usava por cima de um vestido azul que por sua vez realçava a beleza de seu corpo bem feito) e saiu do bar após ter deixado o dinheiro para pagar pela bebida.
Andou muito rápido pelas ruas. Evitava as calçadas. Lugares seguros a deixavam em pânico. Estava extremamente calma. Olhava crianças sorrindo e sentia-se enjoada. Suas pernas não paravam por um segundo. Os pescoços dos transeuntes viravam sempre que cruzavam com sua figura. Ela era apaixonante. Caminhava velozmente e desviava-se das pessoas que vinham na contramão. Armada com seu cérebro, seu peito e uma faca, ela tinha destino certo.
Dez minutos depois, chegou aonde desejava. Seu peito subia e descia, em partes por ter andado muito rápido, e em partes por culpa da ansiedade. Felicidade espontânea. Lembrou-se do que passara por Fernando, um rapaz exageradamente feliz, e sem muito pensar, tirou de sua manga a faca de cabo amarelo. Só agora percebia seus adornos. Era uma linda faca, e serviria a um lindo propósito. Se Drummond fizera sucesso com um poema que não dizia mais do que “Tinha uma pedra no meio do caminho”, ela entraria para história com aquela folha.
Causaria remorso em alguns, chocaria o país, mataria ainda um punhado, abriria os olhos de tantos outros, e satisfaria sua própria vontade.
Acendeu um último cigarro. Estava parada no meio do vão do MASP. Assim que terminou o cigarro, dirigiu-se para os elevadores. Foi até um andar onde uma exposição de Maurício de Sá estava à mostra. Chegou muito perto de um de seus quadros, sua obra prima, que levava o nome de “Amor além do espírito” e, colocando o papel sobre a tela, tirou a faca e fincou-a juntando bilhete e quadro.
Pessoas aglomeraram-se para ver o quadro chorar e sangrar, enquanto liam seu recado: “Liberdade não está na arte. A arte não está na liberdade. Há mais de uma pedra no meio do caminho, há uma faca no meio do amor e do espírito”
A frase repetia-se por 43 vezes, frente e verso.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Amores de metrô

Os amores de metrô me invadem os sonhos.
Deitados em minha cama, trocando os canais da TV com os pés, criticávamos a programação e parávamos ocasionalmente para que um de nós explicasse de que se tratava certo filme. Eu, que abraçava um de seus joelhos, vestia uma blusa gris e bermuda clara, enquanto você trajava um jeans e uma regata branca. Procurava o momento oportuno para arrancar-lhe um beijo, e, quem sabe, algo mais. Tal momento não chegara, uma vez que meus olhos abriram-se.
Acordei e decidi que odiava meu subconsciente.
Num surto de raiva desejei estar bêbado durante a manhã. Quis dormir e esquecer-me do sonho. Esmurrei o colchão que amanhecera sem o lençol por tanto ter-me revirado durante a noite. Repetia para mim mesmo: "não pode ser verdade" e "deve ser uma brincadeira" enquanto balançava a cabeça e continuava a agredir o pobre colchão.
Maldito sonho. Maldito subconsciente. Trabalho de uma semana jogado fora. Afundei a cabeça no travesseiro. Maldito subconsciente! Trabalho de uma droga de uma semana jogado fora.

Já sofrestes alguma vez com amores de metrô, querido leitor? Espero que sim. Não se deve evitar um amor de metrô, você sabe.
O mistério me apaixona. Os ideais me apaixonam. O rumo, a falta do rumo, um livro, um filme, três estações... Um café. A fala me apaixona, a falta da fala, o pensamento, a decepção... Não, não esta ultima.
You see, I actually hate her because she makes me like her.
Puzzling, right?